04/12/2025 - Ejud 19 promove curso sobre a participação dos negros na formação da classe trabalhadora brasileira
Palestra telepresencial discutiu o protagonismo da população negra na construção da classe trabalhadora e os impactos do racismo estrutural no Brasil.
A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (Ejud 19) promoveu, nesta quinta-feira (4/12), a palestra telepresencial “A Participação dos Negros na Formação da Classe Trabalhadora Brasileira”, destinada a magistrados e servidores do TRT-AL. O evento foi conduzido pela juíza do Trabalho Marcele Carine dos Praseres Soares, do TRT da 2ª Região, por meio da plataforma Zoom.
Durante a exposição, a magistrada destacou que sua abordagem tem como propósito central evidenciar o protagonismo da população negra na constituição da classe operária nacional, desmistificando a ideia de que sua origem estaria vinculada à imigração europeia. Segundo ela, compreender essa trajetória é fundamental para reconhecer a raiz verdadeiramente nacional dos movimentos sociais e, consequentemente, do Direito do Trabalho brasileiro.
A juíza ressaltou ainda que espera ter despertado nos participantes a compreensão de que a classe trabalhadora brasileira tem origem na luta dos negros escravizados. “Mesmo diante de um longo processo de espoliação, essa população manteve a capacidade de resistência, mobilização e inteligência, elementos essenciais para a construção da sociedade brasileira”.
Ao comentar sobre a importância de aprofundar o estudo do tema, Marcele Soares afirmou que a pesquisa histórica permitiu compreender as bases do racismo estrutural, que ultrapassa comportamentos individuais ou institucionais e permeia todas as dimensões sociais, econômicas e jurídicas. Esse entendimento, segundo ela, contribui para uma atuação mais consciente enquanto instrumento de Justiça Social.
A magistrada enfatizou que o curso buscou provocar uma reflexão sobre a necessidade do letramento racial: conhecer a história do Brasil, compreender a relevância da população negra para a formação socioeconômica do país e atuar de forma clara e persistente na luta antirracista.
Entre os participantes, a servidora Amanda Vitorino, da Secretaria de Governança e Gestão Estratégica (SGGE), salientou a relevância da atividade para compreender a formação da classe trabalhadora e o abandono vivido pela população negra após a abolição, sem apoio do Estado. Para ela, a apresentação também evidenciou as políticas de branqueamento e ressaltou o protagonismo das empregadas domésticas na luta por direitos historicamente negados.
“Esse aprendizado é especialmente significativo para quem atua na Justiça do Trabalho. Não há como acreditar no que fazemos e na razão de existir dessa Justiça sem conhecer de verdade a nossa própria história”, observou.







