18/05/2026 - Juíza destaca importância da conciliação com perspectiva de gênero em entrevista à Gazeta
Magistrada Alda de Barros Araújo abordou violência patrimonial, vulnerabilidade das mulheres nas audiências e a necessidade de formação humanizada de mediadores e conciliadores
Na última sexta-feira (15/5), o jornal Gazeta de Alagoas veiculou entrevista com a juíza do trabalho Alda de Barros Araújo, coordenadora do Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas do 1º Grau do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (Cejusc). Na publicação, a magistrada abordou a importância da conciliação com perspectiva de gênero no âmbito do Judiciário Trabalhista.
A magistrada explicou como a mediação deve considerar as desigualdades estruturais e as situações de vulnerabilidade enfrentadas por mulheres que chegam às audiências de conciliação. Entre os temas esclarecidos estiveram a violência patrimonial, a necessidade de escuta qualificada, a aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além dos impactos da cultura de metas no processo conciliatório, entre outros.
Ela também relatou um caso acompanhado pelo Cejusc envolvendo uma mulher que sofria bloqueios recorrentes em sua conta-salário após assumir dívidas relacionadas a uma sociedade empresarial mantida com o ex-marido, apontado como autor de violência física, psicológica, moral e patrimonial.
Na oportunidade, ela ponderou sobre o que é, na prática, conduzir uma conciliação com perspectiva de gênero. “É perceber que nem todos chegam à mesa em condições iguais de negociar. Uma mulher que sofreu anos de violência patrimonial, que está doente, com a renda comprometida, que tem medo do ex-marido, está tecnicamente presente na audiência, mas as condições objetivas que permitem uma escolha livre estão profundamente afetadas. Então, a perspectiva de gênero exige que o mediador enxergue isso antes de qualquer proposta de acordo”, observou.
Nesse aspecto, ela defendeu a importância da formação para mediadores e conciliadores. “O ideal é que os profissionais sejam preparados para identificar situações de vulnerabilidade e para agir sem objetificar a parte mais frágil. E que a meta de produtividade nunca seja o critério principal de avaliação de uma unidade”.
Na entrevista, a coordenadora do Cejusc ainda ressaltou que a violência patrimonial contra mulheres continua sendo subestimada, embora esteja frequentemente presente em processos trabalhistas relacionados a execuções e dissoluções societárias. Para ela, reconhecer essas situações é essencial para garantir uma atuação mais justa e sensível por parte do Judiciário.







