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02/06/2023 - Racismo no mundo do trabalho é temática abordada no Regional Trabalhista Alagoano

O evento foi uma iniciativa da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral e do Assédio Sexual, em parceria com a Escola Judicial do TRT-19

“Não basta não ser racista. Tem que ser antirracista”, com essa frase da filósofa Angela Davis, a professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Elita Isabella Dorvillé, iniciou o minicurso "Racismo no mundo do trabalho". O evento ocorreu na última terça-feira (30/5), no auditório da Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (AL)

A palestra foi uma iniciativa da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral e do Assédio Sexual, em parceria com a Ejud-19, e foi direcionada aos magistrados, servidores, funcionários terceirizados e aprendizes.

Elita Dorvillé apresentou diversos aspectos do tema, tais como: conceito de racismo estrutural; racismo, direitos humanos e o ideário europeu de universalidade; o racismo sob o contexto brasileiro; a condição histórica da mulher negra; o negro no mercado de trabalho e o racismo estrutural, entre outros.

A expositora afirmou que as instituições são racistas porque a sociedade é racista. Ao esclarecer, ela mencionou um trecho do livro Racismo Estrutural de autoria do ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, que diz: “as instituições são apenas a materialização de uma estrutura social ou de um modo de socialização que tem o racismo como um dos seus componentes orgânicos”.

A palestrante ainda apresentou uma pesquisa do IBGE de 2021, que revela que há 13,9 milhões de desempregados no Brasil: pessoas negras correspondem a 72,9% do total. Além disso, o salário médio de trabalhadores negros foi 45% menor do que o dos brancos. A mesma pesquisa mostra que entre as mulheres negras a situação é ainda pior. A média salarial para elas chegou a ser a 70% menor do que das mulheres brancas. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostrou que não importa o grau de escolaridade, mesmo negros com curso superior ganham menos que os brancos com mesmo grau. O salário médio de homens não negros com ensino superior, em 2019, ficou em R$ 7.033,00, enquanto o dos negros ficou em R$ 4.834,00, uma diferença de 31% .

Toda a explanação da professora foi ancorada em cientistas, filósofos, sociólogos e intelectuais negros como Silvio Almeida, Lélia González, Sueli Carneiro e Ângela Davis. Ao citar Lélia González, a professora explicou sobre o racismo por denegação no Brasil: o mito da democracia racial brasileira e as teorias da miscigenação e assimilação.

Ao mencionar Angela Davis, Elita Dorvillé abordou o racismo, o patriarcado e a condição da mulher negra, lembrando que mulheres negras sempre trabalharam mais fora de casa do que as brancas, já que o sistema escravista definia o povo negro como propriedade e as mulheres eram vistas como unidades de trabalho lucrativas, igual aos homens.

Para o servidor André Ferreira, lotado no gabinete da desembargadora Anne Helena Fischer Inojosa, a tarde foi um momento de muito enriquecimento cultural e jurídico. “Através da perspectiva de 100% de intelectuais negros, a especialista Elita Dorvillé, nos ensinou muito sobre racismo no Brasil e sua projeção no mundo do trabalho”, ressaltou.

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