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15/12/2025 - Roda de conversa debate mudanças climáticas no mundo do trabalho

Marisqueira, catadora de materiais recicláveis e mototaxista compartilham vivências e desafios diante da crise climática

A Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (AL) promoveu, na última sexta-feira (12/12), no auditório da Ejud-19, a Roda de Conversa – Diálogo de Saberes e Experiências: as mudanças climáticas na linha de frente do trabalho. A iniciativa integra as ações de capacitação e conscientização voltadas à temática ambiental, com foco na adaptação às mudanças climáticas no mundo do trabalho.

A programação reuniu representantes de categorias que vivenciam, no cotidiano, os efeitos mais severos dessas mudanças. Entre os convidados, esteve Vanessa dos Santos Silva, presidente da Cooperativa de Marisqueiras Mulheres Guerreiras (Coopmaris), que atua no fortalecimento da renda e da autonomia das trabalhadoras das margens da Lagoa Mundaú, em Maceió. Em sua fala, ela destacou como a degradação ambiental, a elevação da temperatura e a alteração dos ciclos naturais afetam diretamente a atividade da mariscagem, comprometendo a subsistência dessas mulheres e evidenciando a fragilidade dos ecossistemas costeiros.

A fundadora da Cooperativa dos Recicladores de Alagoas (Cooprel), Maria José dos Santos, também participou da atividade. Catadora de materiais recicláveis, ela atua há mais de duas décadas na coleta de resíduos sólidos em Maceió e trouxe à roda de conversa o relato de quem enfrenta diariamente longas jornadas sob sol intenso. Segundo Maria José, o trabalho é marcado por exposição constante ao calor excessivo, risco de insolação e agravamento das condições de saúde, sobretudo em períodos de temperaturas elevadas e chuvas intensas, que dificultam a coleta e evidenciam os impactos dos eventos climáticos extremos na atividade.

A mobilidade urbana também esteve em pauta com a participação de Erasmo Pereira Gomes Filho, presidente da Associação dos Mototaxistas e Motoboys de Maceió. Em sua apresentação, ele ressaltou os desafios enfrentados pelos profissionais que passam grande parte do dia expostos ao sol forte, ao calor excessivo e às altas temperaturas do asfalto. Erasmo destacou que o risco de desidratação, insolação e fadiga faz parte da rotina desses trabalhadores, além das dificuldades impostas pela infraestrutura urbana diante de eventos climáticos cada vez mais extremos.

De acordo com o servidor Rodrigo José Rodrigues Bezerra, do setor de Equidade, Sustentabilidade, Acessibilidade, Inclusão e Proteção de Dados do TRT-AL, a roda de conversa cumpre um papel essencial ao aproximar a Justiça do Trabalho da realidade vivida por esses profissionais. “A JT, enquanto instituição responsável por zelar pelo cumprimento da lei e pela justiça social, não pode permanecer alheia aos efeitos concretos das mudanças climáticas na vida dos cidadãos. O enfrentamento da crise climática não se restringe a grandes projetos de engenharia ou a políticas internacionais; ele se manifesta nas vidas e nos trabalhos mais simples e vulneráveis da comunidade”, afirmou.

Segundo o servidor, dar voz a trabalhadores e trabalhadoras historicamente invisibilizados permite uma compreensão mais concreta e humanizada dos riscos, desafios e necessidades de adaptação, além de evidenciar impactos sociais diretos que exigem respostas institucionais estratégicas.

ÁLBUM DE FOTOS.

Coordenadoria de Comunicação Social
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