07/10/2024 - TRT/AL, MPT/AL e Fetipat/AL promovem campanha de combate ao trabalho infantil em jangadas de Maceió
Seis embarcações permanecerão navegando e realizando travessia para piscinas naturais com identidade visual da ação promocional nos próximos seis meses
Nos próximos seis meses, em plena alta temporada do turismo na capital alagoana, seis jangadas personalizadas com a identidade visual da campanha “Chega de Trabalho Infantil” em sua vela, realizarão a travessia da Praia da Pajuçara para as piscinas naturais, para sensibilizar turistas e a população local sobre a violação de direitos humanos de crianças e adolescentes.
A campanha foi lançada na manhã da última sexta-feira (4), pelo Tribunal Regional do Trabalho em Alagoas (TRT/AL), em parceria com o Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT/AL) e o Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador de Alagoas (Fetipat/AL).
No lançamento das embarcações, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (AL), desembargador Marcelo Vieira, destacou a importância da iniciativa. “Esta campanha é um importante passo na sensibilização da sociedade sobre a violação dos direitos de crianças e adolescentes e reforça a mensagem de que o lugar delas é na escola, com acesso à educação e tempo para o lazer”, afirmou
O gestor regional do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e Estímulo à Aprendizagem no âmbito TRT/AL, juiz Emanuel Holanda, também prestigiou a ação promocional. Para ele, essas parcerias são muito relevantes para buscar a erradicação do trabalho infantil.
As procuradoras do MPT/AL Cláudia Soares e Adir de Abreu destacaram que o trabalho realizado a céu aberto e no comércio ambulante nas praias consiste em uma das piores formas de trabalho infantil e deve ser combatido por toda a sociedade.
“Com a proximidade da chegada do verão e das férias escolares, infelizmente os casos de trabalho infantil no espaço das areias da praia tendem a aumentar. A ideia de trazer a campanha para um dos maiores cartões postais da cidade de Maceió foi transformar a sociedade em um grande aliado dessa causa, conclamando para que os casos sejam denunciados e acionado o Ministério Público do Trabalho para atuação”, disse a titular regional da Coordenadoria de Combate ao Trabalho Infantil e de Promoção e Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes (Coordinfância) do MPT, Cláudia Soares.
No mesmo sentido, a procuradora-chefe do MPT/AL, Adir de Abreu, ressaltou a importância de se resguardar o meio ambiente de diversão longe do meio ambiente de trabalho, especialmente para o segmento da população em situação de vulnerabilidade. “A praia deve ser um espaço de lazer e diversão de crianças e adolescentes e não de violação de direitos”, disse a liderança do Parquet alagoano.
A coordenadora do Fetipat/AL, Nelma Nunes, lembrou que a sensibilização da população local e dos turistas pode ajudar a quebrar tabus estabelecidos há muitos anos. “Apesar de proibido por lei, o trabalho infantil é visto pela sociedade como um caminho aceitável para o enfrentamento à pobreza. Isso tem que acabar”, defendeu.
Além dos três realizadores, compareceram ao lançamento da campanha representantes da Superintendência Regional do Trabalho em Alagoas (SRTE/AL), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Serviço Promoção Bem Estar Comunitário (Soprobem) e Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).
Denuncie
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, em 2022, mais de duas milhões de pessoas com menos de 18 anos foram vítimas do trabalho infantil no Brasil. Entre elas, 24.814 crianças e adolescentes alagoanos.
No entanto, segundo a procuradora Cláudia Soares, esses dados não refletem a realidade nem no país, nem no estado: “A amostragem realizada não contempla diversas formas de trabalho infantil, como o trabalho nas ruas, de vendedor ambulante, o trabalho infantil no tráfico de drogas, na exploração sexual e ainda o doméstico. Precisamos falar da invisibilidade dessas violações, da interrupção dessas infâncias alagoanas em razão do trabalho precoce, que acarreta a interrupção de projetos de vida e da oportunidade de terem uma melhor perspectiva de futuro”.
Qualquer pessoa pode ajudar a proteger essas infâncias a adolescências que têm os seus projetos de vida interrompidos com o trabalho precoce, com repercussões graves e muitas vezes irreversíveis na vida adulta. Denuncie no Disque 100 ou no site www.mpt.mp.br







